Português tetraplégico viaja para Suiça para morrer por eutanásia

Ricardo Fernandes, de 44 anos, deslocou-se à Suíça com o objetivo de recorrer à morte assistida através da associação Dignitas, concretizando assim uma decisão que já tinha tornado pública em várias entrevistas.
O empresário, que se tornou tetraplégico na sequência de um acidente rodoviário ocorrido há 17 anos, partilhou na sexta-feira uma última mensagem nas redes sociais: uma fotografia de olhos fechados, com auscultadores, a ouvir a música Liberté (Liberdade), dos Afro House Galaxy, e duas palavras: “Até já”. Numa entrevista concedida à Revista Sábado em abril do ano anterior, descrevera a eutanásia como uma forma de “liberdade medicamente assistida”.
Deixa a esposa, Ana, de 50 anos, bem como um filho e uma filha, ambos na faixa dos 20 anos, que respeitaram e apoiaram a sua escolha. Dias antes, tinha partilhado momentos com familiares e amigos, descrevendo-os como um período completo e significativo de convívio.
Após o acidente, em 2011, Ricardo fundou uma empresa de serviços de limpeza que chegou a empregar mais de 100 pessoas, mantendo uma vida profissional e social ativa. No entanto, vivia com limitações severas: incapaz de movimentar os dedos, dependia de terceiros para tarefas básicas do dia a dia, como alimentar-se, vestir-se ou utilizar a casa de banho.
Na mesma entrevista, recorreu a uma metáfora para expressar a sua condição, comparando-se a um pássaro privado de asas, sublinhando o sofrimento físico e emocional que enfrentava. Reconheceu ainda que a decisão de pôr termo à vida poderia ser vista como egoísta, mas justificou-a com a necessidade de priorizar o próprio sofrimento.
Lamentava que Portugal ainda não tivesse legislação que permitisse a eutanásia, o que o obrigou a deslocar-se ao estrangeiro, tornando o processo mais difícil para a família e implicando custos entre 15 mil e 20 mil euros.
O procedimento de morte assistida envolve a administração de pentobarbital de sódio. Ricardo manifestou o desejo de ser cremado e de que as suas cinzas fossem posteriormente lançadas ao mar.








