Notícias

Padeiro que salvou crianças francesas poderá candidatar-se à sua adoção

Alexandre Quintas, o padeiro português que encontrou e socorreu os dois irmãos franceses abandonados junto à estrada entre Alcácer do Sal e a Comporta, poderá, em teoria, candidatar-se à adoção das crianças, caso o processo evolua nesse sentido e sejam esgotadas todas as alternativas em França.

A possibilidade foi explicada por Carlos Anjos, antigo inspetor-chefe da Polícia Judiciária, que considera o cenário difícil, mas não impossível. Segundo o especialista, Alexandre Quintas poderá apresentar uma candidatura às autoridades francesas se, numa fase posterior do processo, não existirem familiares ou outros candidatos considerados mais adequados para acolher Zacharie e Barthélémy, de 3 e 5 anos.

“Qualquer pessoa pode candidatar-se. Se não houver candidatos em França e ele reunir as melhores condições, poderá ser considerado”, explicou Carlos Anjos, sublinhando, no entanto, que a dimensão do país e a procura por famílias adotivas tornam essa hipótese pouco provável.

O antigo responsável recorda que os processos de adoção em França são particularmente rigorosos e incluem uma avaliação exaustiva dos candidatos. Entre os critérios analisados estão a estabilidade financeira, a idoneidade, a capacidade parental e a aptidão psicológica. As autoridades realizam diversas entrevistas, visitas domiciliárias e verificações junto de familiares e entidades policiais.

Além disso, a distância geográfica poderá representar um obstáculo significativo para Alexandre Quintas. O candidato teria de deslocar-se frequentemente a França para cumprir todas as etapas exigidas pelas autoridades locais.

Carlos Anjos lembra ainda que a mãe das crianças, Marine Rousseau, continua viva e encontra-se detida, pelo que poderá ser ouvida durante o processo. “Trata-se de um procedimento longo e complexo”, destacou.

Prioridade à família biológica

As autoridades francesas continuam a procurar soluções dentro da própria família das crianças. Após uma primeira tentativa de colocação junto da avó materna, os menores regressaram à proteção do Estado na sequência de um incidente doméstico que levantou preocupações sobre a sua segurança.

De acordo com Carlos Anjos, a legislação privilegia, numa primeira fase, familiares diretos, como irmãos maiores de idade, tios ou outros parentes com capacidade para assumir a guarda. Apenas depois de esgotadas todas essas possibilidades poderá ser aberto um processo de adoção.

Até lá, os dois irmãos deverão permanecer numa família de acolhimento. No entanto, estas famílias não podem candidatar-se posteriormente à adoção das crianças.

Uma das principais preocupações das autoridades é garantir que Zacharie e Barthélémy permaneçam juntos durante todo o processo. “O objetivo será sempre evitar a separação dos irmãos”, concluiu o antigo inspetor.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo