Trump já ligou a Jorge Jesus

Depois da intervenção de Luís Montenegro, só falta mesmo o presidente dos EUA para resolver a ‘guerra’ na Seleção, mas continua difícil imaginar um acordo de paz verdadeiro
As redes sociais são perversas. Por estes dias apareceu-me um artigo sobre um apelo de Donald Trump a Cristiano Ronaldo: «Precisamos de ti». Por momentos pensei que a polémica na Seleção Nacional já tivesse chegado à Casa Branca, onde o capitão de Portugal esteve em novembro de 2025. Afinal o apelo de Trump a Ronaldo era de fevereiro (deste ano), mas não me pareceu assim tão descabido que, depois da intervenção do primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, Jorge Jesus já tivesse recebido um telefonema do presidente dos Estados Unidos da América, vencedor do prémio de paz da FIFA.
Talvez a escala global que a polémica adquiriu seja prova derradeira da dimensão futebolística que CR7 alcançou, mas também reflexo direto da proporção do comportamento do próprio.
Para já apenas Jorge Jesus teve de explicar o que sucedeu. Falta ouvir Ronaldo, acima de tudo, e também o presidente da FPF, mas até ao momento não surgiu nenhuma versão que justifique a renúncia do capitão quando devia estar em pleno exercício das suas funções. A frustração por ser suplente não utilizado — de um jogo que até nem era para jogar — não justifica virar costas a colegas e adeptos, mesmo que tenha recebido indicação posterior de que afinal jogava 30 minutos, e mesmo que tenha passado muito tempo a aquecer. Isto ao segundo jogo do novo selecionador, que é Jesus mas podia ser Mourinho, Amorim ou Conceição.
Ronaldo não parou para pensar que muitos colegas já passaram pelo mesmo, alguns até porque os treinadores tinham receio de o substituir a ele, incontornável cabeça de cartaz.
Naquele momento ninguém se coloca nos sapatos do outro, muito menos Cristiano, pouco habituado a ser prescindível. Errou, mas é aí que vale o estatuto. Se há alguém com margem para errar é ele, mas depois seria preciso que o capitão, que tantas vezes deu força ao país, soubesse dar parte fraca. Ronaldo insistiu no erro depois de ouvir a conferência do selecionador. Tinha toda a legitimidade para sair, mas foi ele que optou pela porta dos fundos. Ao abandonar o estádio naquela carrinha preta, e não no autocarro, ao lado dos colegas, seguiu uma via de aparente sentido único.
Ninguém ganha com esta guerra, mas é difícil imaginar um acordo que traga verdadeiramente paz à Seleção.
Encontrar solução para uma outra despedida é o mínimo, mas já nem isso terá a dignidade que devia.









