Nunca visto em Fátima: depressão Kristin provoca danos graves e perdas irreparáveis no Santuário

O Santuário de Fátima registou prejuízos superiores a dois milhões de euros na sequência da passagem da depressão Kristin, que atingiu o país na madrugada. A informação foi avançada esta quinta-feira pelo reitor do Santuário, padre Carlos Cabecinhas.
De acordo com o responsável, mais de 500 árvores de médio e grande porte foram destruídas, representando a maior fatia dos prejuízos, considerados irreparáveis. Já os danos em edifícios ascendem a mais de 200 mil euros, relacionados com a reabilitação de património afetado.
“O maior desafio será a replantação e renovação do património arbóreo, um processo que demorará décadas e que terá impacto imediato na paisagem e no ambiente do Santuário”, sublinhou Carlos Cabecinhas, durante a sua intervenção no 47.º Encontro de Hoteleiros de Fátima.
Segundo o reitor, o mau tempo provocou danos severos não só no Recinto de Oração, como também nas zonas envolventes e nos Valinhos. Apesar disso, garantiu que os colaboradores têm sido “incansáveis” nos trabalhos de remoção de destroços, limpeza e reparação dos estragos.
Apesar dos danos sofridos, o Santuário tem prestado apoio às populações mais afetadas. Atualmente, está a assegurar alojamento a mais de uma centena de agentes da Proteção Civil, sobretudo bombeiros deslocados de várias zonas do país, e, através da Cáritas de Leiria, tem contribuído com alimentos não perecíveis e cobertores.
“Tivemos grandes prejuízos, mas não podíamos ficar indiferentes ao drama vivido por tantas pessoas à nossa volta”, afirmou o reitor, destacando o compromisso social da instituição.
Desde a semana passada, doze pessoas morreram em Portugal na sequência das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram centenas de feridos, desalojados e danos significativos em habitações, empresas e infraestruturas. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo em 68 concelhos e anunciou um pacote de apoios até 2,5 mil milhões de euros para responder aos estragos causados pelo temporal.









