Massa de ar tropical trava chuva intensa no baixo Mondego, mas mantém alerta

O Baixo Mondego continua sob forte vigilância meteorológica, mas há um fator atmosférico que poderá estar a evitar cenários ainda mais graves. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Portugal encontra-se sob a influência de uma massa de ar tropical, mais quente e muito húmida, que favorece chuva persistente ao longo de várias horas, mas tende a reduzir episódios de precipitação extremamente intensa nas zonas de planície, como a região entre Coimbra e a Figueira da Foz.
Este fenómeno também explica a neblina cerrada e os nevoeiros persistentes que têm marcado a paisagem do Baixo Mondego nos últimos dias. De acordo com o meteorologista Jorge Ponte, do IPMA, este tipo de massa de ar caracteriza-se por grande quantidade de vapor de água, temperaturas mais elevadas e precipitação contínua, mas geralmente menos intensa do que a registada em áreas montanhosas. Nessas zonas de serra, a orografia e os choques de massas de ar potenciam acumulados de chuva superiores, o que não acontece com a mesma expressão em terrenos planos.
Ainda assim, o especialista alerta que podem ocorrer episódios localizados de maior intensidade, sobretudo associados a núcleos convectivos isolados, capazes de gerar trovoadas dispersas. Durante a manhã, imagens de radar já indicavam formações deste tipo a montante de Coimbra, em áreas como Santa Comba Dão e a barragem da Aguieira. Embora não se trate de uma situação generalizada, há períodos do dia em que a chuva poderá intensificar temporariamente, exigindo atenção redobrada.
O contexto meteorológico surge numa altura particularmente sensível para a região. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) já tinha alertado para o risco de colapso das margens do rio Mondego, que corre num canal artificial no Baixo Mondego, podendo originar cheias descontroladas. Está em curso uma operação de emergência que prevê a eventual retirada de cerca de 3.500 pessoas em zonas ribeirinhas de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho. Atualmente, mais de 6.000 hectares de campos agrícolas permanecem inundados, com níveis de água que chegam aos 2,5 metros em algumas áreas, mantendo a população e as autoridades em estado de alerta.







