Namorado de Maria Custódia Amaral “foi agredido” para dizer “o que tinha feito”

Após a descoberta do corpo de Maria Custódia Amaral, filha da falecida atriz Delfina Cruz, continuam a surgir novos e perturbadores detalhes sobre os bastidores da investigação. Na rubrica ‘Análise Criminal’ do programa Casa Feliz, da SIC, emitido esta segunda-feira, 2 de fevereiro, Hernâni Carvalho fez uma revelação inesperada envolvendo o namorado da vítima.
Depois de Luís Maia ter explicado minuciosamente a identidade e os movimentos do homem suspeito do homicídio, Hernâni Carvalho interveio em direto e levantou uma questão delicada relacionada com a forma como o namorado de Maria Custódia foi abordado durante os primeiros dias da investigação.
“Foi agredido para contar o que tinha feito”
“Há aqui um detalhe interessante”, começou por dizer o jornalista. “O namorado desta senhora, aquele senhor que ficou lá em casa à espera dela, se calhar era interessante agora contar como é que foi contactado, quem é que o contactou e de que maneira é que foi agredido para contar o que é que tinha feito à namorada. Se calhar está na hora.”
As palavras causaram imediato espanto no estúdio. Diana Chaves, visivelmente surpreendida, questionou de imediato:
“Como assim, agredido?”
Hernâni Carvalho respondeu de forma cautelosa, mas firme:
“Pois, porque ele vai ter que contar. O que ele contou ao Luís Maia vai ter que contar em público.”
Pressão indevida e métodos criticados
Perante a gravidade da afirmação, a apresentadora tentou clarificar:
“Portanto, foi alegadamente pressionado para contar alguma coisa?”
O jornalista explicou então o seu ponto de vista, deixando críticas claras a práticas abusivas:
“Pressionado é uma força de expressão eufemística. Há muitos anos que se sabe que a investigação criminal não deve usar métodos da Inquisição. Não deve. Sempre que usa, corre mal.”
Hernâni Carvalho comparou estas situações a casos internacionais em que a pressão excessiva levou a erros judiciais graves:
“Sabemos isso pelos métodos usados por algumas polícias nos Estados Unidos, que resultaram em erros policiais e em pessoas retiradas dos corredores da morte anos depois, quando se provou que eram inocentes.”
Namorado ilibado desde cedo
O jornalista foi ainda mais claro ao afastar qualquer suspeita sobre o companheiro da vítima:
“A investigação criminal não tem de ter pressa. E não é à pancada que se sacam declarações. Eu e o Luís Maia sabíamos há vários dias que não tinha sido este o namorado.”
Segundo Hernâni Carvalho, apesar de inicialmente ter parecido um suspeito plausível, a entrevista feita por Luís Maia revelou pormenores suficientes para ilibar o homem:
“O Maia foi entrevistá-lo e nós sabíamos detalhes que eram suficientes para perceber que o rapaz não tem nada a ver com isto.”
“Está na hora de contar tudo”
No final da sua intervenção, o jornalista deixou um apelo direto e contundente:
“Agora está na hora de ele contar como é que lhe puxaram pelos colarinhos, como é que o encostaram à parede, o que é que lhe disseram e quem. Está na hora. Agora é que é.”
As declarações lançam novas sombras sobre os primeiros momentos da investigação ao desaparecimento de Maria Custódia Amaral e prometem reacender o debate sobre os limites da atuação policial em casos de elevada pressão mediática.









