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Chuva não dá tréguas em Portugal: “rio atmosférico” traz comboio de tempestades

A chuva vai continuar a marcar presença em Portugal continental até, pelo menos, ao dia 31 de janeiro, num cenário meteorológico que está a preocupar autoridades e especialistas. Apesar de a tempestade Ingrid estar em fase de dissipação, o mau tempo não vai dar descanso, devido à chegada sucessiva de frentes atlânticas associadas a um fenómeno conhecido como “comboio de tempestades”, que deverá atingir várias regiões do país com especial intensidade.

Na origem desta instabilidade está a jetstream, uma corrente de ar polar de grande altitude e elevada velocidade que, em condições normais, circula mais a norte da Europa nesta época do ano. No entanto, a presença de anticiclones entre a Gronelândia e a Escandinávia está a forçar esta corrente a deslocar-se mais para sul, atingindo diretamente a Península Ibérica e trazendo consigo massas de ar frio e extremamente húmido.

Segundo o meteorologista Alfredo Graça, esta configuração atmosférica vai permitir a entrada de um verdadeiro “rio atmosférico”, carregado de humidade proveniente das Caraíbas, que deverá atingir Portugal em cheio já nos próximos dias. Até domingo, espera-se uma ligeira melhoria do estado do tempo, com precipitação fraca e alguns períodos de acalmia, sobretudo durante o dia. No entanto, essa trégua será temporária, uma vez que a partir de segunda-feira o mau tempo regressa em força.

De acordo com os modelos europeus de previsão meteorológica, os distritos do Norte e Centro serão os mais afetados, com destaque para Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real, Viseu, Coimbra e a região da Serra da Estrela, onde os acumulados de chuva podem ultrapassar os 200 ou 250 milímetros. Em zonas específicas do Minho, Douro Litoral e Serra da Freita, os valores poderão mesmo atingir os 300 mm, enquanto no resto do país se prevêem acumulados inferiores a 100 mm. A Madeira deverá ser a região menos afetada, embora também registe precipitação.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) já confirmou que a precipitação prevista para esta semana será “muito superior ao normal” para esta altura do ano, alertando para riscos acrescidos. Alfredo Graça sublinha que a chuva persistente e abundante poderá provocar cheias rápidas, transbordo de rios e inundações em zonas historicamente vulneráveis, além de galgamentos costeiros devido ao mar agitado. As autoridades apelam à população para que acompanhe as previsões e adote comportamentos preventivos face ao agravamento das condições meteorológicas.

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