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Joana Marques em lágrimas pela morte da sua maior fã: a despedida comovente da avó Estela

Joana Marques está de luto. A humorista e voz incontornável das manhãs da Rádio Renascença partilhou uma homenagem profundamente emotiva à avó Estela, a mulher que sempre descreveu como a sua maior fã, cúmplice de vida e inspiração maior.

Mesmo mergulhada na dor, Joana não deixou de recorrer ao humor — traço que unia ambas — para celebrar uma vida longa, irreverente e cheia de histórias. “Era imortal até prova em contrário. Infelizmente a prova chegou. Mas felizmente tardou”, escreveu. E acrescentou: “Nenhum texto lhe fará justiça, mas como fã número um de qualquer coisa que eu escrevesse, acho que merece uma última homenagem. Que nunca será a última.”

Para Joana, era simplesmente a avó Estela, mas ao longo da vida teve muitos nomes. Na escola, era conhecida por “Maria Rita”, por estar sempre a rir, sobretudo quando imitava os professores da instrução primária — o que lhe valia expulsões frequentes da sala. Desde cedo revelou um amor pela representação.

Sonhou ser atriz, mas nasceu em 1923, numa época em que essa ambição não era bem vista para mulheres. “Acredito que passou ao lado de uma grande carreira”, admite Joana, “mas tive a honra de ser sua encenadora em muitos teatros caseiros”.

Estela estudou com figuras marcantes da cultura portuguesa, como Maria Barroso e Sebastião da Gama, e tinha um espírito “trocista”, palavra que Joana diz definir perfeitamente as duas. Uma colega chegou a tratá-la por “Estrela” — e não era erro. “Era uma estrela. Mas uma estrela rock”, escreve a humorista. “Acordava ao meio-dia, só comia o que lhe apetecia e, como qualquer rockstar, era transgressora.”

As memórias entre neta e avó são muitas: férias no Hotel do Vimeiro recheadas de gelados proibidos, festas onde Joana não podia ir mas para onde a avó a levava na mesma, e aniversários celebrados quase em conjunto. “Ela a 2 de janeiro, eu a 3. Em 2004 bastaram duas velas: fizemos 81 e 18. E eu jurava que os 18 eram dela.”

A avó viveu ainda para conhecer os bisnetos, ganhando um novo título: “Avó Catela”. “Bisavó era um nome demasiado pesado para alguém tão leve”, explica Joana. Com eles, repetiu as mesmas brincadeiras, escondendo-se atrás dos cortinados da casa que, para a humorista, sempre foi um verdadeiro teatro onde tudo era possível.

“Tudo me lembra a minha avó”, confessa. Dos lanches no Careca às chamadas de telemarketing, das quais Estela se livrava com humor afiado: “Essa senhora já não mora cá, já morreu”. “E ríamos muito. Como voltei a rir agora.”

Há também espaço para reflexão. Durante anos, Joana oferecia-lhe um calendário no Natal — quase como um pacto silencioso para garantir mais um ano de vida. Nos últimos tempos, deixou de o fazer. “Posso ver isso como superstição quebrada ou como a aceitação de que não podemos obrigar ninguém a viver para sempre.”

A última imagem que guarda é simbólica: a avó à janela, a acenar até a família desaparecer na esquina. “Assim estou eu hoje, à janela”, escreve. “Só que ela não desaparece do meu horizonte, nunca.”

E termina com palavras que ficam no coração:

“Não é preciso ir vasculhar álbuns antigos. Basta olhar ao espelho. É impossível esquecermos alguém que também somos.”

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