As declarações de Marco Silva após a goleada do Benfica ao Celtic “pareceu fácil…”

O Marco Silva mostrou-se satisfeito com a goleada do Benfica frente ao Celtic, mas deixou alguns reparos à exibição da equipa, sobretudo pela forma como os encarnados permitiram a reação dos escoceses na segunda parte. Em declarações à Sport TV, o treinador destacou a qualidade ofensiva das águias, embora tenha reconhecido que existiram momentos de desconcentração que precisam de ser corrigidos.
«Foi a nossa qualidade que fez a diferença. Voltámos a entrar muito bem no jogo, algo que tem sido habitual praticamente em todos os encontros que disputámos na Luz e também na maioria dos jogos fora. Conseguimos assumir o controlo, levar o jogo para onde pretendíamos e instalar-nos no meio-campo ofensivo, criando oportunidades tanto pelos corredores como pelo centro», começou por explicar.
O técnico benfiquista destacou ainda a importância do posicionamento de Sudakov para desmontar a organização defensiva do adversário.
«Sabíamos que, perante o 4-4-2 do Celtic, haveria momentos de maior dificuldade, porque a linha média deles movimentava-se bem. No entanto, tínhamos identificado espaços que podíamos explorar através do posicionamento do Sudakov. Quando essa zona não era devidamente protegida, conseguíamos colocar lá a bola. Os nossos centrais, pela qualidade que têm na construção, também foram fundamentais para encontrar os colegas entre linhas ou nos corredores. Criámos oportunidades de várias maneiras e com muita qualidade. Pareceu fácil, mas de fácil não tem nada!»
Apesar da superioridade demonstrada na primeira parte, Marco Silva admitiu que a equipa recuou mais do que seria desejável depois de construir uma vantagem confortável.
«Fizemos uma primeira parte de enorme qualidade, mas houve aspetos que não me agradaram. Disse aos jogadores ao intervalo que precisávamos de identificar melhor os momentos para pressionar. Depois de chegarmos ao 2-0 e ao 3-0, baixámos demasiadas vezes para a nossa linha média. É natural que os jogadores também pensem no resultado, mas permitimos que o Celtic construísse com três elementos, com McGregor a baixar para junto dos centrais, o que dificultou a nossa pressão.»
Na segunda parte, o Benfica voltou a criar várias ocasiões para ampliar a vantagem, mas acabou por permitir que os escoceses reduzissem a diferença.
«Entrámos melhor na segunda parte e tivemos oportunidades para marcar o quarto e o quinto golos muito cedo. Podíamos praticamente ter resolvido o encontro nessa altura. O problema é que, quando começamos a pensar que tudo está fácil, as coisas podem complicar-se. Foi isso que aconteceu com a reação do Celtic.»
O treinador considerou que o golo sofrido poderia ter sido evitado, apontando algumas falhas na organização defensiva.
«O Celtic marcou num lance que tínhamos obrigação de controlar melhor. Houve um cruzamento pelo corredor, numa jogada em que entrou um jogador fresco pelo lado esquerdo. O Dahl, que já estava amarelado, sentiu algumas dificuldades e também não tivemos a melhor ajuda para criar uma situação defensiva de dois contra um. A equipa demorou algum tempo a recuperar depois do golo, mas voltou a assumir o comando da partida, marcou novamente e criou várias oportunidades. Também é verdade que o Celtic teve mais ocasiões do que aquelas que eu gostaria de permitir. Ainda assim, foi mais uma grande exibição da nossa equipa.»
Questionado sobre os muitos gestos que fez junto à linha lateral após o golo do Celtic, Marco Silva explicou que procurava corrigir determinados comportamentos defensivos.
«São pormenores que precisamos de melhorar e continuar a trabalhar com os jogadores. Ainda na primeira parte, o Celtic teve uma dupla oportunidade num cruzamento pela direita. Estávamos numa situação de dois contra um defensivo e tínhamos de ser muito mais fortes. Quando temos dois jogadores perante um adversário, não podemos permitir que ele consiga cruzar com aquela facilidade. Precisamos de bloquear melhor essas ações.»
O treinador revelou também que, durante o intervalo, procurou corrigir os movimentos de Fredrik Aursnes e João Palhinha, que estavam a permitir espaços no corredor central.
«Tentámos fazer perceber aos jogadores que estávamos a perseguir demasiado os adversários. O Fredrik \[Aursnes\], sobretudo, estava a deixar muito espaço na ligação com o João \[Palhinha\]. Isso permitia que a bola entrasse várias vezes pelo meio, algo que não pode acontecer na nossa equipa. Conseguimos corrigir essa situação no início da segunda parte, mas voltámos a sentir algumas dificuldades a meio desse período. Depois fomos melhorando novamente.»
Por fim, Marco Silva insistiu na necessidade de reforçar a entreajuda defensiva, particularmente nos corredores laterais.
«No lado esquerdo, demorámos demasiado tempo a criar situações de dois contra um para ajudar o Dahl. O jogador que entrou pelo Celtic era muito agressivo, tal como o outro que foi lançado para o corredor contrário. São futebolistas fortes nos duelos individuais e temos de estar preparados para isso. Precisamos de ser muito mais competentes a defender em superioridade numérica nos corredores, sobretudo perante adversários com essa capacidade. São aspetos fundamentais para a nossa equipa e que temos de continuar a melhorar», concluiu.









