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A última mensagem sem resposta de Rute para Diogo Jota antes de tudo acontecer

Rute Cardoso, a companheira de Diogo Jota, o internacional português do Liverpool FC que partiu em julho do ano passado ao lado do irmão, André Silva, falou sobre todos os momentos que antecederam o triste episódio.

O livro «Nunca Mais é Muito Tempo» dedica um capítulo das últimas horas de Diogo Jota e do seu irmão. Através do testemunho de Rute Cardoso, a obra descreve como uma noite de rotina familiar e amizade em Vila Nova de Gaia se transformou, em poucos quilómetros, num pesadelo.

A madrugada de 3 de julho de 2025 deveria ter sido apenas o início de uma viagem de regresso a Inglaterra, contudo, o dia anterior foi passado com uma intensidade que agora soa a despedida. Rute recorda o pedido invulgar que fez ao marido: “Disse‑lhe para irmos ao cinema, coisa que já não fazíamos há muito”. O grupo reuniu-se no Arrábida Shopping para ver O Match Perfeito. “Após o filme, percebemos que ainda estavam duas coisas por fazer antes de regressarmos a Inglaterra: comer nas roulottes e ir ao sushi. Fomos àquelas que se encontram perto da ponte D. Luís, sentámo‑nos na margem do Douro e ficámos ali na galhofa“, relata Rute. Nada previa que, horas depois, a comunicação seria cortada para sempre.

A última interação do futebolista aconteceu logo após a saída: “Decorridos uns minutos de eles terem saído, enviei uma mensagem ao Diogo a dizer‑lhe ‘Vai com Deus’. Ele respondeu‑me que ‘sim’ com um emoji, e eu pedi‑lhe que se mantivesse focado na estrada.” Foi o último contacto de Diogo.

Pelas 22h40, Rute recebeu do fotógrafo o vídeo da surpresa que fizera no casamento (que tinha acontecido há uma semana) e quis partilhá-lo com Diogo Jota: “Quando parares, tenho uma coisa para te mostrar”. Foi entregue, mas acabou por nunca ser lida. Algum tempo depois, o hotel em Benavente confirmou que os irmãos não tinham feito o check-in e foi aí que a preocupação começou. Nesse momento, as mensagens do WhatsApp deixaram de ser entregues e pouco tempo depois Rute começou a contactar diversas entidades para tentar saber se tinha acontecido algo.

Pouco tempo depois o tio Vítor, camionista, confirmou o pior: “Ouvi o meu tio dizer, ao outro telefone: ‘Sim, são dois irmãos”. Era a certeza, forte, dura, de que algo havia acontecido. (…) De repente, o meu tio pediu‑me que lhe passasse o Nuno, o meu cunhado. (…) Ouvi o meu tio dizer-lhe: “Eles estão a ser levados”; e eu congelei ali. Mais tarde, por telefone, veio a confirmação do pior: Diogo Jota e André Silva tinham partido.

Rute descreve um estado de negação profunda, caminhando sem parar enquanto esperava que tudo fosse um erro: “Tenho marcados onze quilómetros no relógio, feitos naquela noite, só a andar no pátio, que é grande, da casa da minha irmã. (…) Eu só dizia à minha amiga Catarina: “Isto é uma palhaçada, não pode ser verdade. Não pode!”

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