Emocionante: Renato Seabra “reza todos os dias” para voltar para Cantanhede

O quarto 3416 do Hotel Intercontinental, em Nova Iorque, voltou a estar no centro das atenções. Novas imagens do espaço onde ocorreu um dos crimes mais mediáticos envolvendo um português no estrangeiro vieram a público, reacendendo a memória de um caso que continua a levantar questões mais de 15 anos depois.
Foi ali, a 7 de janeiro de 2011, que o cronista social Carlos Castro, de 65 anos, foi assassinado de forma brutal. O crime aconteceu poucos dias após a passagem de ano e teve como autor Renato Seabra, um jovem modelo natural de Cantanhede. A vítima foi morta e mutilada com um saca-rolhas. Seabra acabou por confessar o homicídio, tendo sido condenado a uma pena de prisão perpétua nos Estados Unidos, sem possibilidade de deportação para Portugal.
A relação entre ambos teve início cerca de um ano antes. Em outubro de 2010, Renato Seabra recebeu uma mensagem de Carlos Castro através do Facebook, na qual o cronista se oferecia para o ajudar a entrar no mundo da moda. O convite foi aceite e, segundo relatos divulgados na altura, a ligação evoluiu rapidamente para uma relação íntima.
No dia do crime, o comportamento do modelo terá levantado suspeitas. Em declarações ao Correio da Manhã, Vanda Pires, uma das melhores amigas de Carlos Castro, recorda que Renato “estava inquieto, não parecia ele”. Após o homicídio, o jovem passou por duas amigas do cronista e deixou um aviso inquietante: Carlos Castro “não iria sair mais do quarto”, antes de abandonar o hotel apressadamente.
Horas mais tarde, Renato Seabra apanhou um táxi e dirigiu-se a um hospital para tratar de ferimentos. Foi o próprio taxista quem alertou as autoridades, indicando o paradeiro do jovem, que já estava a ser procurado pela polícia de Nova Iorque.
Atualmente, Renato Seabra cumpre pena na Clinton Correctional Facility, uma das prisões de alta segurança mais exigentes do estado de Nova Iorque. Vive sob um regime rigoroso, com apenas uma hora diária de recreio. Ao longo dos anos, enfrentou episódios de instabilidade psicológica, incluindo surtos e uma tentativa de suicídio. Ainda assim, mantém um comportamento considerado exemplar, participando em tarefas diárias e assumindo funções como sacristão nas celebrações religiosas ao domingo.
A família continua a acompanhá-lo de perto. A mãe, Odília, chegou a viver em Nova Iorque para estar mais próxima do filho, mas regressou a Portugal devido ao elevado custo de vida, mantendo visitas regulares sempre que possível.
Em 2013, Renato Seabra escreveu uma carta a uma jornalista portuguesa, onde descrevia o impacto da reclusão e a solidão vivida na prisão: “Há dias que me sinto tão deprimido que não me apetece fazer nada. Nesta idade em que as pessoas fazem planos para a vida, eu somente posso rezar e pedir a Deus para fazer um milagre e reduzir a minha sentença”, escreveu, apontando a fé como principal suporte.
O apoio familiar estende-se também à irmã, Joana Seabra, atualmente deputada da Assembleia da República pela coligação Aliança Democrática, que tem acompanhado o caso desde o início.
Renato Seabra poderá pedir liberdade condicional em 2035, quando tiver 46 anos. Caso o pedido seja recusado, a situação será reavaliada de dois em dois anos, podendo permanecer preso até ao final da vida.







