A vida controversa de André Ventura: do sonho de ser padre às maiores polémicas da política nacional

André Ventura é, hoje, uma das figuras mais polémicas da política portuguesa, mas o seu percurso está longe de ter sido linear. Nascido em Algueirão-Mem Martins, filho de um “pai de direita e de uma mãe de esquerda”, viveu uma juventude semelhante à de muitos jovens da sua geração, até que, aos 14 anos, despertou para a fé e decidiu ingressar no seminário. Durante esse período, ponderou seriamente dedicar a vida à Igreja, mas acabaria por abandonar o sonho de ser padre, movido por paixões mais terrenas. Seguiu então para a Faculdade de Direito, construiu uma carreira como jurista e comentador desportivo, e começou a ganhar notoriedade mediática ao defender o Benfica e a analisar temas jurídicos na televisão.
O verdadeiro ponto de viragem aconteceu em 2019, com a fundação do partido Chega, projeto político que mudaria definitivamente a sua vida. Desde então, André Ventura tornou-se um nome incontornável do debate público, acumulando apoiantes fervorosos e críticos implacáveis. As suas posições firmes e, por vezes, extremadas, colocaram-no no centro de sucessivas polémicas e obrigaram-no a adotar fortes medidas de segurança, circulando diariamente com guarda-costas. A exposição constante levou-o também a afastar a mulher, Dina, da esfera mediática, numa tentativa de a proteger do clima de hostilidade que envolve a sua carreira política.
Apesar do sucesso político, o líder do Chega admite que paga um preço elevado no plano pessoal. Casado desde 2016, André Ventura reconhece que a decisão de adiar a paternidade está diretamente ligada às questões de segurança e ao ritmo exigente da sua vida pública. Em várias entrevistas, confessou sentir culpa por ter falhado momentos familiares marcantes, incluindo o funeral de pessoas próximas, devido a compromissos políticos. “Foi uma vida que eu escolhi”, afirma, sublinhando, ainda assim, o peso emocional dessas ausências e as dúvidas sobre o equilíbrio entre carreira e família.
A par da devoção religiosa, Ventura assume-se também como supersticioso, mantendo rituais rigorosos em dias decisivos, como as noites eleitorais, que prefere passar na igreja. Rodeado de inimigos e alvo frequente de críticas, inclusive de figuras públicas e humoristas, o político continua a provocar reações intensas no eleitorado. Até dentro de casa, admite receber “puxões de orelhas”, sobretudo da mãe, que o acusa de ter um tom excessivamente exaltado. Ainda assim, André Ventura mantém-se fiel ao seu estilo e às suas convicções, consolidando-se como uma das personalidades mais divisivas e influentes da atual política portuguesa.








